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Editorial

A ficção científica contempla as áreas de cinema e literatura do fantástico mas também explora recursos nos mais diversos campos desde as ciências exatas como a física, química e matemática até às novas engenharias. Aqueles que criam e estudam ficção científica devem possuir uma formação científica ou tecnológica relevante, bem como ter um vasto conhecimento das implicações sociais, históricas, económicas entre outras sobre a comunidade em geral.

Numa simples busca à internet é possível encontrar várias páginas ou blogs sobre o tema Ficção Cientifica. Gostaria de apresentar algumas páginas muito interessantes onde poderão tirar alguma informação, quer para discussão no debate quer por curiosidade científica. Para começar, sugeria que lessem a “Breve História Da Ficção Científica Portuguesa” onde é apresentado um resumo desde o século XVI até à atualidade. Quero realçar que em 1987 foi publicada uma Bibliografia da Ficção Científica e Fantasia Portuguesa escrito por de Álvaro de Sousa Holstein e José Manuel Morais ao qual recebeu nesse ano em Montpelier, França, o prémio europeu da Sociedade Europeia de Ficção Científica. Poderão encontrar mais informação nesta área emMemórias da Ficção científicaou "tecnofantasia."

Em Setembro de 2013 foi realizada a primeira mostra bibliográfica de ficção científica e Fantasia de autores Portugueses no Porto. Existe atualmente uma lista de publicações de autores Portugueses.

Existe em teoria uma Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantasia denominada por “simetria”. Nas ciências exatas quero referir a Sociedade Portuguesa de Física, Química e de Matemática. Quero realçar o surgimento da SPOF – sociedade Portuguesa de Ótica e Fotónica Foi criada em Novembro de 2009 com o objetivo de promover a ótica nas vertentes de investigação científica e tecnológica mas também da formação e educação em ótica pura, aplicada e fotónica.

Relativamente a prémios nacionais, existiu o prémio apoiado pela editora Caminho, atualmente extinta, denominado “Prémio Caminho de Ficção Científica”. O prémio foi entregue entre 1982-1999. No entanto existem mais dois prémios: o “Prémio Adamastor” instituído pelo Trëma e o “Prémio Bang!” atribuído pela editora Saída de Emergência, que já tinha tentado instituir este prémio e foi retomado no ano passado e atribuído num contexto luso-brasileiro.

Relativamente à divulgação científica, começa no seculo XX com Rómulo de Carvalho onde publica vários artigos de divulgação cientifica na Gazeta da Física. Em 1952 publica dois livros muito conhecido sobre a história do Telefone e da Fotografia. No entanto o primeiro livro de divulgação cientifica publicado por Rómulo de Carvalho foi A Ciência Hermética em 1947 pela biblioteca Cosmos.  Atualmente a editora Gradiva (fundada em 1981) é a editora mais conhecida que tem  se esforçado em publicar na coleção Ciência Aberta divulgação cientifica para todos. O primeiro livro escrito por um autor português foi Ciência: curiosidade e maldição, publicado em 1986 pelo Professor Jorge Dias Deus. Atualmente existem mais de 200 livros em todas as áreas, incluindo ciências desde a Física até à Matemática.

Quero também realçar uma literatura alternativa sobre mistérios, conspirações, ufologia e extraterrestre.  Um dos escitores importantes nesta área é o jornalista Hugo Rocha que publica  O enigma dos «discos voadores» ou a maior interrogação do nosso tempo, Porto : Edições AOV, 1951 (com edição brasileira aumentada em 1961) e Outros Mundos/Outras Humanidades, em 1958. Nessa área apresentou-se um estudo sobre “Ovnis em Portugal” publicado pela Editora Nova Critica em 1978 em Portugal da autoria  do Professor Joaquim Fernandes. 

No cinema português, António Macedo produz em 1987, "Os Emissários de Khalôm" sendo um dos primeiros filmes de ficção científica. Recentemente, foi produzido o filme Contraluz (Backlight) de Fernando Fragata, uma coprodução de Portugal e Estados Unidos, com Joaquim de Almeida e Evelina Pereira, nos papéis principais. Estreou-se nas salas de cinema portuguesas no dia 22 de Julho de 2010. De referir que foi o primeiro filme feito em Hollywood por um português.

Na banda desenhada em Portugal temos de referir pelo menos duas obras de referência nacional.  Eternus 9 que contêm dois volumes, O Filho do Cosmos (2008) e A Cidade dos Espelhos  (2010) do autor Victor Mesquita publicado  e re-editado recentemente pela gradiva. E por ultimo Wanya, Escala em Orongo dos autores Augusto Mota e Nelson Dias  publicado Assírio & Alvim em 1978.

No "I Congresso Português de Literaturas Marginais" (Faculdade de Letras da Universidade do Porto-1987), que pela 1ª vez, se falou de ficção científica no meio académico, tendo como principal organizador o Professor Doutor Arnaldo Saraiva. Foi também  relevante o "Encontro sobre Mundos Alternativos na Literatura" (Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, Lisboa-1992), cujo mentor foi o Marquês de Fronteira. Por último, quero referir a existência do Fórum Fantástico realizado pela primeira vez em 2006 e um colóquio denominado por Mensageiros  das  Estrelas, realizado pela primeira vez em 2010 na Universidade de Letras de Lisboa. No Porto temos Conversas Imaginárias tendo sido realizado em Abril de 2011. Em 2011, A AEFEUP (Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), o F3UPcon, uma convenção de sci-fi e videojogos. Pela primeira vez o Departamento de Física e de Astronomia da FCUP em colaboração com o INESC TEC irão realizar uma semana da Ficção Cientifica chamada “SYFY Scientific Review” onde se pretende combinar a ciência dada na Universidade e apresentada nos filmes ou na literatura de ficção científica através de discussões em palestras e num debate.

Orlando Frazão

(29-05-2015)


INESC TEC - Laboratório Associado